O papel do consultório da era digital

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O mercado médico de consultório vivencia o acompanhamento da era digital. Do atendimento e marcação de consulta ao armazenamento das informações de pacientes, a digitalização vem se tornando um modelo mais rentável, dinâmico e ágil, que, com o tempo, passará a ser padrão para todos os processos de gerenciamento de um negócio, bem como na rotina do médico.

Após perceber a importância da informatização dos dados para sua rotina médica, o cardiologista Álvaro Cattani passou a pesquisa sobre tecnologia. Depois disso, o médico começou a se dedicar ao desenvolvimento de alguns aplicativos. Um deles permite a junção de informações do paciente e seus exames em um único prontuário. Há um outro voltado para a prevenção da saúde do paciente. Existe, ainda, o aplicativo que coleta dados sobre a pressão arterial do paciente, para que possa ser feito um compartilhamento dessas informações com o médico.

Segundo o especialista, esses dados arquivados permitem que o médico tenha acesso ao histórico do paciente antes mesmo da consulta. “Com um aplicativo que faça as medidas regularmente, eu dispenso exames, porque sei que a pressão do paciente está bem quando ele está em casa”, diz Cattani. “A digitalização pode otimizar e dinamizar o tratamento, aumentando a aderência de pacientes a ele”, acrescenta.

Claudio Giulliano, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), explica que é muito importante que o médico conheça a história clínica do paciente, o que é facilitado, hoje, com a tecnologia. Como exemplo, ele cita médicos que possuem mais de um consultório e que podem acessar dados de outros computadores ou smartphones. “Se o médico acoplar ao prontuário eletrônico ferramentas mais informadas, que chamamos de sistemas de apoio à decisão clínica, ele terá a possibilidade de ter informações que podem melhorar o resultado clínico por meio da adesão a protocolos clínicos internacionais, propostas mais diretas e objetivas de tratamento ao paciente”, comenta.

Cuidados e desafios

Contudo, Giulliano esclarece alguns cuidados necessários com a digitalização da informação do consultório. “O médico tem que saber se o software é aderente às resoluções estabelecidas pelo CFM. Muitas vezes, os softwares para consultório médico são apoiados pelas sociedades de especialidades médicas e isso ajuda muito. E também é fundamental que o médico possa conversas com outros colegas que já usam a aplicação para ver como é o perfil do software ou aplicativo”, relata.

Apesar de muito se falar na importância das novas tecnologias e as contribuições que elas promovem em relação ao diagnóstico e ao tratamento de doenças, ainda existem médicos resistentes à entrada dessas ferramentas no consultório. Para Cattani, o grande problema em estimular a digitalização está no fato de que muitos médicos chefes de serviço têm mais de 40 anos e não estão habituados com a linguagem tecnológica, acabando por impor resistência a esse tipo de novidade. “Eu acho que vivemos uma nova fase. Devemos quebrar esse paradigma e nos familiarizarmos com a tecnologia, porque não é escapatória, esse é o futuro”, define o cardiologista. “Não tem como criar resistência para uma coisa que vai acontecer cedo ou tarde. Em breve, teremos uma explosão do uso da tecnologia na área médica. É necessário entender que tudo isso vai facilitar e muito a adesão ao tratamento”, conclui.

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