Telemedicina: desafios para implementação no consultório

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A pandemia do novo coronavírus tem provocado inúmeras mudanças em diversos segmentos, mas, sobretudo, tem influenciado as mais importantes áreas do conhecimento — como a Medicina. Nesse contexto, a telemedicina, serviço de saúde a distância e altamente relevante, tem conquistado cada vez mais espaço no Brasil e no mundo.

Não é à toa que a ferramenta tem se tornado indispensável na rotina de médicos, profissionais da saúde, clínicas e hospitais. Em entrevista especial, Renato Gregório, CEO do Universo DOC e autor do livro Marketing Médico: criando valor para o paciente, relata um pouco mais sobre a importância dessa ferramenta para o mercado da saúde e para o dia a dia do médico.

Para ele, os benefícios da telemedicina vão muito além de ser um recurso útil em favor do isolamento social. Isso porque ela traz uma facilidade para novas formas de prestação de serviço em saúde: “Com certeza, ela traz mais flexibilidade, redução de custos, traz comodidade ao paciente, que não gasta tempo para se deslocar, e tudo é resolvido online”, defende o especialista.

Desafios

É fato que o uso da telemedicina traz benefícios em diversos aspectos, mas isso não significa que o processo de implementação dela seja uma tarefa fácil. Dentre os desafios estão as particularidades de cada especialidade médica. Para Gregório, é fundamental fazer a avaliação de todas elas para entender em que situações é possível usar esse recurso tecnológico de maneira bem-sucedida.

Além disso, ele defende que existem outros dois grandes grupos de desafios que impactam diretamente o sucesso da ferramenta. O primeiro deles está relacionado à dimensão estrutural. Este abriga uma série de questões, como:

  • A familiarização com a tecnologia;
  • A relação com os convênios;
  • O pagamento das consultas;
  • O sigilo da informação;
  • A adaptação do ambiente online.

Já o segundo grupo diz respeito à dimensão humana, ou seja, à relação com o paciente e como ela fica com a nova forma de se comunicar. “É preciso repensar esse modelo de comunicação com o paciente e criar uma experiência positiva com ele”, afirma Gregório. Ele acredita que, por serem consultas sem o contato físico, os pacientes podem não perceber que a telemedicina é um recurso eficiente e traz diversos benefícios.

Nesse sentido, ele traz alguns pontos importantes que devem ser repensados no momento atual: “É preciso estar atento aos aspectos relacionados à identidade visual do ambiente online, se está sendo bem promovido, se tem um layout adequado e se o médico possui um site que dê suporte ao seu trabalho”, salienta.

Gregório afirma, ainda, que o médico precisa entender que no ambiente online também é possível criar percepções e tangenciar alguns aspectos que existiam no atendimento presencial. “No consultório, o médico pode investir na decoração, às vezes ele entrega um folheto de orientação ao paciente, ou seja, uma série de atributos que tangenciam esse atendimento, então o médico precisa fazer isso online também de certa maneira”, sugere. Para ele, algumas formas de fazer isso são provendo conteúdo de qualidade e criando uma plataforma amistosa e fácil, em que o paciente navega sem dificuldades.

Perspectivas

No Brasil, a telemedicina ainda é uma prática que divide opiniões entre a classe médica. No entanto, durante a pandemia, ela foi regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina e, por isso, muitos médicos vêm fazendo uso da ferramenta. Para Gregório, embora o momento seja difícil para a sociedade, pode trazer bons frutos no que diz respeito à saúde no país: “Acredito que o Brasil vai ganhar com isso, acho que vamos crescer em termos de prover saúde para a população criando mais esse canal e intensificando os atendimentos e os procedimentos”, defende.

O especialista também acredita que, mesmo com divergências de opiniões quanto ao uso dela, todos os médicos, cedo ou tarde, vão atender remotamente. Isso significa que a telemedicina vai fazer parte do trabalho dos médicos brasileiros, seja porque ele tem um consultório e disponibiliza a modalidade, seja porque ele faz parte de uma rede e ela instituiu em sua operação o acesso remoto. “A questão do atendimento remoto vai ser um fato no Brasil e a tendência é que, cada vez mais, os serviços de saúde sejam feitos por essa modalidade”, conclui.

 

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