Telemedicina: 4 passos para começar a utilizar

Conheça alguns aspectos necessários para se levar em consideração ao iniciar os atendimentos à distância

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A Medicina dá mais um passo rumo à transformação digital. Com a pandemia de Covid-19, a telemedicina, assunto muito discutido nos últimos anos, foi aprovada como forma de facilitar o acesso do paciente ao médico durante esse período. Porém, apesar de representar uma ótima ferramenta para otimizar a atenção em Saúde, facilitar diagnósticos de forma remota, além de possibilitar a interpretação de exames e a emissão de laudos a distância, é preciso estar preparado para começar a trabalhar com telemedicina.

Confira a seguir 4 passos essenciais para a carreira de todos os médicos que desejam ingressar nessa nova realidade:

1- Defina de que forma você quer utilizá-la

O primeiro passo que todo profissional deve ter em mente ao começar a atender por meio da telemedicina é definir de que forma deseja utilizar esse novo modo de cuidar dos pacientes. Nesse sentido, sabe-se que a ferramenta pode ser dividida em: teleorientação, teleconsulta, teleinterconsulta, teleducação e telediagnóstico (emissão de laudos a distância).

De acordo com Alexandre Taleb, coordenador do Núcleo de Telemedicina e Telessaúde na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, se um médico souber o que espera, poderá selecionar as melhores ferramentas para o atendimento e obterá os melhores resultados. “Há colegas que desejam apenas fazer teleorientação: passar orientações de tratamentos já prescritos, tirar dúvidas sobre medicamentos ou acompanhar um pós operatório, sem necessidade de prescrição de novos fármacos”, explica.

Nesses casos, o especialista pontua que uma ferramenta de interação de áudio e vídeo segura é suficiente. “Há outros colegas, entretanto, que desejam fazer uma teleconsulta, com prescrição de receita e até laudos e atestados”, destaca. Em situações como essa, segundo Taleb uma plataforma com prontuário eletrônico e um certificado digital também será necessária. “Uma vez que o médico tenha definidos os seus objetivos, ele verá que um mundo de possibilidades se abrirá” revela.

2- Esteja preparado tecnologicamente

Outro passo muito importante para ingressar na telemedicina é estar preparado tecnologicamente. Antes de querer iniciar os atendimentos a distância, é preciso organizar algumas ferramentas que irão permitir que a prática seja bem sucedida e evitar que falhas atrapalhem o serviço assistencial.

Portanto, alguns pilares básicos são necessários para que os médicos possam estruturar suas atividades:

  • Equipamentos adequados ao que se pretende;
  • Ambiente Virtual de Atendimento;
  • Conexão segura e redundante à internet;
  • Prontuário eletrônico;
  • Certificado digital;
  • Termo de consentimento;
  • Protocolos de segurança de dados.

3- Priorize sempre ética e transparência

Segundo Taleb, os preceitos éticos independem da forma de interação, já que o mundo virtual deve seguir o que acontece no mundo real. “Os pacientes devem ser tratados com a mesma forma, respeito e honestidade com que são tratados presencialmente”, assegura.

Além disso, segundo o especialista em Telemedicina, os dados devem ser anotados em prontuário eletrônico. “Gosto de definir a telemedicina como um novo modo de cuidar. Agora podemos, também, cuidar virtualmente dos nossos pacientes, ampliando, de forma segura e ética, o acolhimento e a atenção à saúde deles”, complementa.

4- Telemedicina não substitui o cuidado presencial

Por último, ter em mente que a telemedicina não substitui as consultas presenciais é fundamental para garantir a responsabilidade profissional. “Deve haver transparência em comunicar o que é possível e o que não é possível de se fazer virtualmente, com humildade de reconhecer o momento em que uma consulta virtual deve ser interrompida e o paciente encaminhado para atendimento presencial, seja ele de urgência ou não”, destaca Taleb.

Além disso, ele assegura que a telemedicina não substitui o cuidado presencial, mas, quando bem indicada, é uma opção muito valiosa para os pacientes. “Não vejo como não permitir que essa prática se torne perene. É fundamental, entretanto, que as normas sejam colocadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para que todos possamos atuar tranquilos e com plataformas que obedeçam às regras”, pontua.

Para muitos especialistas, a telemedicina veio para ficar, independentemente dos desafios que o novo formato propõe à carreira médica. Nesse sentido, Taleb afirma que cada médico tem uma rotina e um modo de trabalho e, por isso, esse tipo de atendimento deve ser inserido de forma a respeitar as características individuais. “O médico precisa identificar como a telemedicina pode agregar valor ao cuidado que ele já dispensa a seus pacientes”, conclui.

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