AMB realiza pesquisa sobre remuneração médica e glosa

14/07/2020

Folder

A Associação Médica Brasileira (AMB) iniciou, recentemente, uma pesquisa sobre a remuneração da classe médica. A pesquisa surgiu em razão da realidade vivida pelos médicos do país referente às glosas. No total, foram elaboradas 12 questões destinadas aos médicos sobre como e de que forma as glosas acontecem entre eles e as operadoras de planos de saúde, com o intuito de criar um banco de informações sobre o assunto.

De acordo com o ortopedista Carlos Alfredo Lobo Jasmin, diretor de defesa profissional da AMB, a pesquisa é um meio para mostrar que há uma assimetria na relação operadoras-prestadores, ou seja, há uma guerra de medição de forças que não é igual. “Um é muito mais fraco do que o outro. E essa situação é que precisa ser entendida pelas instituições. Como a glosa é a pior coisa que acontece dentro dos contratos, nós utilizamos esse assunto para começar essa discussão”, explica.

Além disso, o diretor revela que o Brasil é o único lugar do mundo em que a classe médica tem o seu pagamento cortado sem discussão prévia. “Nós tivemos durante os últimos dois anos e meio uma participação dentro da ANS por meio da Câmara Técnica de Contratualização e Relacionamento com Prestadores (Catec) e isso ocorreu depois de inúmeras queixas e reclamações levadas à entidade por conta do não cumprimento da lei 13.003 por parte das operadoras”, explica.

Jasmin conta que, após a elaboração de um documento sobre o assunto, a ANS o encaminhou ao Ministério Público, ao Ministério da Economia e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e as instituições apresentaram restrições às decisões da Catec. “Dessa forma, a ANS resolveu não publicar a resolução normativa com as decisões tomadas e, assim, nós perdemos dois anos e meio de decisões que só tinham a melhorar as condições de trabalho e de atendimento na saúde suplementar”, detalha.

De acordo com o diretor, esse fato evidenciou a grande necessidade da realização de uma pesquisa que mostre a essas instituições a realidade que elas não conhecem, com dados estatísticos comprovatórios “O que nós pretendemos é fazer com que a contratualização seja revista e que nela também seja previsto que é impraticável que o médico não seja pago e ainda tenha que discutir sobre essa decisão. Isso em qualquer lugar é apropriação indevida” assegura.

Jasmin acrescenta que por conta da assimetria nessa relação, se o médico vai à justiça reclamar do não pagamento de algum serviço, a operadora paga e no dia seguinte o descredencia. “Essa é outra situação pela qual brigamos dentro do contrato”, revela o representante da AMB, que afirma não querer que ninguém seja amparado como um funcionário público com garantias de estabilidade. “O que eu não quero é que o médico perca as garantias contratuais apenas porque quem o contratou não está cumprindo o contrato assinado” conclui o diretor. Os resultados da pesquisa serão divulgados, inicialmente, apenas às instituições citadas na reportagem.

 

Por Nayara Simões

Compartilhe