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Telemedicina e remuneração preocupam autoridades do setor

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Universo DOC

- 02/07/2020

Com a aprovação da prática da telemedicina durante o período de pandemia, o tema, já muito discutido por autoridades médicas e governamentais, ganha mais destaque. Em 25 de junho, a comissão externa da Câmara dos Deputados, responsável pelo acompanhamento de ações de combate ao coronavírus, realizou uma reunião técnica por videoconferência sobre o tema “Telemedicina, teleconsulta e aspectos remuneratórios no pós-pandemia”. Durante o debate, médicos e demais autoridades presentes demonstraram sua preocupação em relação a questões como remuneração médica diante desse novo cenário.

O tema merece destaque para muitos profissionais, visto que a telemedicina gera novas condições de trabalho e concorrência. Em uma declaração exclusiva ao Universo DOC, o deputado federal Hiran Gonçalves (PP-PR), oftalmologista e presidente da Frente Parlamentar da Medicina do Congresso Nacional, revelou a preocupação das autoridades diante dessa questão. “Plataformas vendem planos a preço vil, exploram médicos e restringem a qualidade do serviço prestado para as pessoas mais humildes desse país”, explica. Durante a reunião do dia 25, o deputado também contou que teleconsultas têm sido vendidas a quatro reais.

“Queremos garantir a presença dos médicos, uma remuneração adequada e que tudo seja feito no sentido de proporcionar a melhor prestação de serviço de saúde às pessoas que estão em lugares mais remotos e que têm dificuldade de acesso, seja na saúde suplementar, no Sistema Único de Saúde (SUS) ou no âmbito da medicina particular”, destaca Gonçalves.

Relação médico-paciente e outros debates

Além do âmbito econômico, o deputado revela que a teleconsulta suscita ainda mais debates. “Isso porque nós acreditamos que teleconsulta deve garantir a presença de um profissional médico nas duas pontas. Se não, estará quebrada a nossa relação médico-paciente”, assegura. Para Gonçalves, a semiologia médica pressupõe o olhar, a postura, as cores e uma série de características no paciente que só é possível avaliar presencialmente.

“Aprovamos o mais rapidamente no congresso nacional um projeto de lei que regulamenta telemedicina para tentar mitigar o sofrimento daquelas pessoas que estão nos lugares mais longínquos, por ocasião dessa pandemia. Esse projeto de lei é simples e perde a sua vigência quando acabar a pandemia. Depois disso, a regulamentação dessa matéria tem que vir dessa discussão que está sendo feita no âmbito dos conselhos regionais e das entidades médicas. Ali nós construiremos uma nova resolução que dará direção a essa nova realidade a qual não podemos fugir”, pontua.

Os debates sobre a telemedicina têm ocorrido de forma intensa e, segundo o deputado, o movimento médico já entende que telemedicina é uma realidade há muito tempo e que ajuda no serviço prestado, seja na questão do aprendizado, da pesquisa ou da transferência de experiencias. “Isso é algo que já está consolidado em nosso meio”, garante.

 

Por Nayara Simões