Expectativas e frustrações dos pacientes na balança – Parte 1

Saiba como construir uma relação de confiança com os pacientes sem frustrar expectativas e conheça estratégias de profissionais que tentam consolidar a relação médico-paciente de forma eficaz

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O que fazer quando um paciente deposita suas expectativas em resultados irreais ou incertos? No dia a dia dos consultórios, esse é um desafio que precisa ser superado para que a relação médico-paciente não seja afetada de forma negativa. Nesse cenário, construir uma relação de confiança em cada consulta e deixar claro todos os desfechos que podem ser alcançados pode colaborar para a prevenção desses problemas.

Porém, diariamente, cada profissional lida de maneira distinta com seus pacientes. Por isso, conversamos com médicos de diferentes especialidades para entender as melhores formas de lidar com alguns desses casos e preparamos uma série especial dividida em 6 partes que será divulgado ao longo da semana (22 a 27 de junho). Acompanhe a seguir a parte 1:

Idealização versus resultado

Imaginar o resultado de um procedimento, cirurgia ou tratamento é algo que todo paciente faz. Em algumas especialidades, essa idealização acaba se tornando mais comum, principalmente quando é algo relacionado à estética e à aparência. O que muitos médicos precisam saber como lidar é quando a idealização vai além do que é tecnicamente possível de ser alcançado.

Na Cirurgia Plástica, por exemplo, essa realidade voltada para uma idealização nem sempre possível de ser alcançada é comum. Com frequência, observam-se casos em que o paciente deseja ficar parecido com alguma celebridade ou alcançar algum aspecto milagroso esteticamente. De acordo com a cirurgiã plástica Danielle Gondim, membro da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS), a expectativa das pessoas com a própria aparência está mais irreal em função da forma como a Era Digital explora as imagens.

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Segundo ela, a satisfação desses pacientes, muitas vezes, não é pautada em ter uma versão aprimorada da face ou do corpo, mas se faz de forma comparativa, com imagens de terceiros que têm idade, genética e estilo de vida diferentes. “Já tive pacientes que, após duas gestações, idealizavam a mama de uma artista que tinha uma anatomia completamente diferente e não tinha filhos. Isso é cada vez mais comum nos consultórios de Cirurgia Plástica”, revela.

Nesse contexto, Danielle explica que a consulta tem papel central na especialidade e o médico deve ser realista e transparente para evitar frustrações. “Entender o que o paciente idealiza é fundamental. Ele relata suas queixas, mas normalmente a linguagem visual explica melhor do que a verbal”, acrescenta. A médica conta que, algumas vezes, pede para que o paciente mostre com fotos o que ele imagina ou deseja. “Deixo claro que é impossível replicar o resultado de uma pessoa em outra, mas avalio se é próximo a algo alcançável. Caso não seja, devemos ajustar e só dar continuidade se isso for possível”, pontua.

Outro ponto destacado por Danielle e que deve estar presente na vida dos profissionais é a maturidade, que, segundo a especialista, envolve entender que muitas coisas fogem do controle do médico. “É possível que um paciente tenha uma satisfação incrível em um resultado limitado e um resultado espetacular habite em uma pessoa insatisfeita. Tenho estudado muito sobre questões psicológicas que envolvem a satisfação e tais conhecimentos não são ensinados na formação habitual da especialidade”, lamenta.

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A médica também evidencia que conversar com colegas mais experientes pode colaborar nesse processo. “Outra dica é se alegrar com cada feedback positivo, afinal, eles são maioria. Se não forem, há algo errado. Acima de tudo, usar os feedbacks negativos como estímulo ao aprimoramento”, aconselha. Além disso, Danielle explica que, em todos os casos, estabelecer uma relação amigável e de confiança com o paciente é essencial para que não haja consequências negativas no âmbito jurídico.

De forma geral, a médica aconselha aos demais cirurgiões que a promoção de Saúde deve ser priorizada. “Creio que trilhar um caminho focado em questões mais humanas, customizar tratamentos e praticar a Slow Medicine nos leva a uma carreira mais perene e feliz, pois todos ganham: o cirurgião, o paciente e a sociedade”, assegura Danielle.

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