Expectativas e frustrações dos pacientes na balança – Parte 2

Saiba como construir uma relação de confiança com os pacientes sem frustrar expectativas e conheça estratégias de profissionais que tentam consolidar a relação médico-paciente de forma eficaz

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O que fazer quando um paciente deposita suas expectativas em resultados irreais ou incertos? No dia a dia dos consultórios, esse é um desafio que precisa ser superado para que a relação médico-paciente não seja afetada de forma negativa. Nesse cenário, construir uma relação de confiança em cada consulta e deixar claro todos os desfechos que podem ser alcançados pode colaborar para a prevenção desses problemas.

Porém, diariamente, cada profissional lida de maneira distinta com seus pacientes. Por isso, conversamos com médicos de diferentes especialidades para entender as melhores formas de lidar com alguns desses casos e preparamos uma série especial dividida em 6 partes que será divulgado ao longo da semana (22 a 27 de junho). Acompanhe a seguir a parte 2:

Relação custo-benefício

Assim como a Cirurgia Plástica, a Dermatologia também lida com um aspecto que pode representar grande incômodo a algumas pessoas: a estética. Além disso, a especialidade também trata de problemas relacionados à pele. As dúvidas e as expectativas relacionadas aos tratamentos são muitas, principalmente ao se levar em consideração o custo de cada um desses procedimentos.

Assim, para não frustrar essas expectativas, segundo a dermatologista Flávia Addor, pós-graduada em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e em Dermatocosmética pela Universidade de Bruxelas, em seus 30 anos de Dermatologia, a transparência sempre esteve presente no relacionamento com o paciente. A médica revela que sempre busca explicar, detalhadamente, cada problema e o que há disponível cientificamente para ajudar. “Se há um protocolo, uma sequência de medicamentos ou procedimentos, também costumo explicar”, acrescenta.

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A especialista acredita que esses esclarecimentos se fazem mais importantes em tempos de internet. “O paciente pode facilmente checar o que o médico explicou ou já vir à consulta com uma pesquisa, ainda que muitas vezes inadequada, sobre a doença e/ou o tratamento que imagina ser necessário”, destaca. Segundo Flávia, os médicos também precisam ser cuidadosos quando o assunto é a relação entre custos dos tratamentos e os benefícios obtidos.

A dermatologista revela que nos casos que envolvem os tratamentos mais caros, muitas vezes, o resultado é eficaz, mas o valor alto é questionado e o paciente quer reaver ao menos parte do valor. “Nesses casos, é fundamental explicar o percentual de melhora e registrá-lo em prontuário para reduzir problemas dessa natureza”, orienta.

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Flávia também faz questão de destacar que, no processo de comunicação do médico com o paciente, prometer resultados e se colocar como expert em determinado procedimento é o caminho mais rápido para a confusão. “Somente divulgo nas redes sociais aquilo que tem alguma comprovação científica e jamais deve-se prometer antes e depois, o que é proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)”, relembra.

Destacando…

Confira outras dicas da dermatologista Flávia Addor para prevenir problemas na relação médico-paciente:

  • Prepare um prontuário bem escrito;
  • Descreva os percentuais de melhora e o número mínimo de sessões;
  • Registre a história detalhada;
  • Passe convicção de que sabe o que está fazendo;
  • Remova todas as dúvidas;
  • Estabeleça uma relação de confiança e disponibilidade (com acesso ao número de celular).

 

Perdeu a parte 1 dessa série especial? Não se preocupe, clique aqui.

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