Expectativas e frustrações dos pacientes na balança – Parte 3

Saiba como construir uma relação de confiança com os pacientes sem frustrar expectativas e conheça estratégias de profissionais que tentam consolidar a relação médico-paciente de forma eficaz

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O que fazer quando um paciente deposita suas expectativas em resultados irreais ou incertos? No dia a dia dos consultórios, esse é um desafio que precisa ser superado para que a relação médico-paciente não seja afetada de forma negativa. Nesse cenário, construir uma relação de confiança em cada consulta e deixar claro todos os desfechos que podem ser alcançados pode colaborar para a prevenção desses problemas.

Porém, diariamente, cada profissional lida de maneira distinta com seus pacientes. Por isso, conversamos com médicos de diferentes especialidades para entender as melhores formas de lidar com alguns desses casos e preparamos uma série especial dividida em 6 partes que será divulgado ao longo da semana (22 a 27 de junho). Acompanhe a seguir a parte 3:

Questão de peso

Outra especialidade que lida com expectativas o tempo todo é a Cirurgia Bariátrica, hoje considerada uma das formas mais efetivas para tratar a obesidade em níveis mais graves. De acordo com o cirurgião Felipe Koleski, especialista na área de atuação em Cirurgia Bariátrica e Metabólica pela Associação Médica Brasileira (AMB), muitos pacientes buscam a cirurgia como cura definitiva para essa condição.

“Muitos pensam que, ao operar, poderão comer o quanto quiserem, o que quiserem e como quiserem e continuarão magros. Outras pacientes acreditam que já sairão da sala de cirurgia magras e que se transformarão em modelos de capa de revista, ou seja, terão um corpo que não existe na realidade”, relata.

De acordo com Koleski, a melhor forma de controlar esses falsos desejos é por meio de uma equipe multidisciplinar bem preparada, que trabalhará com as expectativas dos pacientes, e deixar bem claro o que a cirurgia pode oferecer. “É um trabalho em equipe, em que cada um tem seu papel. Uma equipe que realize cirurgias bariátricas, obrigatoriamente, deve ser constituída por cirurgião bariátrico, endocrinologista, nutrólogo, nutricionista e psicólogo. Toda essa equipe levará ao paciente a informação adequada e, assim, reduzirá as falsas expectativas”, assegura.

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Ao ser questionado sobre alguma história marcante em que teve medo de não alcançar as expectativas do paciente, o cirurgião destacou que realizou mais de 3,5 mil cirurgias bariátricas e sempre tratou todos da mesma maneira. Porém, quando opera médicos ou familiares de médicos, ele tem mais receio quanto aos resultados. “No nosso meio existe a lenda do CRM positivo, em que todas as complicações possíveis ocorrem neste grupo de pacientes. Para minimizar a lenda, desde a primeira consulta, deixo claro que não abro exceções e o protocolo será seguido igualmente em todos os casos”, ressalta.

Quando a insatisfação é inevitável

As atitudes de um paciente insatisfeito podem ter grande impacto na carreira, na rotina e no bem-estar do profissional da Saúde. De acordo com Felipe Koleski, como a Medicina não é uma ciência exata, é impossível um cirurgião não ter alguma complicação cirúrgica na vida. “Os pacientes satisfeitos com os resultados fazem uma propaganda positiva muito boa, mas aqueles em que nem tudo ocorreu como o esperado acabam fazendo uma propaganda negativa maior ainda”, afirma.

Hoje, com o aumento da judicialização na Saúde, ele reforça aspectos que podem minimizar esse dano:

  • Informação adequada e bem documentada;
  • Folhetos informativos;
  • Consentimento informado adequado;
  • Melhor relação possível do médico com o paciente e com a família.

Segundo o especialista, muitas vezes, na vigência de uma intercorrência, os pacientes estarão ainda mais fragilizados e vulneráveis, ouvindo diversas opiniões e prontos para um enfrentamento. “Devemos manter a calma, tentar mostrar a real situação clínica, sem acobertar fatos. Um caso de insucesso afetará psicologicamente o cirurgião, mas lembre-se que ainda mais abalados estarão o paciente e seus familiares. Nós, cirurgiões, precisamos agir mesmo em situações desfavoráveis. Fomos treinados para isso”, relembra.

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Além dos impactos psicológicos, Koleski conta que os danos de imagem serão inevitáveis, mas o tempo e a continuidade de um trabalho sério, aos poucos, recolocam o cirurgião dentro do mercado. Ele destaca que o médico não deve se esquecer que é humano e, nos momentos possíveis, deve buscar algo para relaxar, seja ler um livro, ouvir uma música ou praticar uma atividade física. “Nestes anos de cirurgia, já mudei muitas vezes minhas rotinas e não tenho vergonha nenhuma em dizer isso. Sou quase uma metamorfose ambulante, parafraseando Raul Seixas”, afirma.

Perdeu a parte 1 dessa série especial? Não se preocupe, clique aqui.

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